terça-feira, 22 de setembro de 2009

CARTAZES LIGHT

Não são bonitos os cartazes da campanha eleitoral para as legislativas 2009. Nem polémicos. Nem informativos. São elementares e de fórmula simples: fotografa-se o líder partidário, arruma-se com ele a um canto e escolhe-se um “slogan” que se procura esticar noutro canto. E espalham-se por todo lado, disseminando um persistente ruído visual.


"Sócrates surgiu, num cartaz inicial, como um homem só no meio da multidão"


  "Manuela Ferreira Leite ensaiou alguns fatos, mas não larga o colar de pérolas"



Comecemos por aquilo que se escreve. De forma geral, estes cartazes optam por palavras incongruentes. Olhamos os cartazes e parece-nos encontrar ali um certo ‘non sense’. O PS propõe “avançar Portugal”. Estivemos nós em letargia durante este tempo? E agora queremos ir para onde? O cartaz mostra o rosto de Sócrates em fundo patriótico. A mensagem está incompleta. O PSD anuncia que “chegou a hora da verdade”. Não será uma frase acertada para um partido com barões tão desavindos e de perfil nem sempre ajustado a cargos de serviço público. O CDS garante que “há cada vez mais pessoas a pensar como nós”. Falta saber quem cabe dentro deste plural e qual a linha-matriz do pensamento dos populares. Curioso o facto de, em subtítulo, o partido escrever “não basta pensar. É preciso votar”. Estamos entendidos. A CDU diz que “basta de injustiças”. Apoiado, apetece acrescentar. Pena é que, em frase exclamativa, acene com caminhos “para uma vida melhor”. È excessivo. O Bloco de Esquerda quer “justiça na economia”. A sintonia com os cidadãos é total. Porque se trata aqui se afirmar o óbvio. 


"Paulo Portas encena um olhar determinado para dar força ao seu “slogan”"


 Nas fotografias, os líderes partidários estão deslocados da imagem que se procura transmitir. Sócrates surgiu, num cartaz inicial, como um homem só no meio da multidão. Para fazer avançar Portugal, o caminho seria outro. Manuela Ferreira Leite ensaiou alguns fatos, mas não larga o colar de pérolas. Parece que conhecemos aquelas duas voltas de fio há muitos e fastidiosos anos. Paulo Portas encena um olhar determinado para dar força ao seu “slogan”, mas a sua figura solitária corta qualquer pretensão de passar a ideia do “nós” em que o cartaz insiste. Jerónimo de Sousa poderia ter dispensado o fato e Francisco Louçã poderia ter optado por se mostrar mais.






"Jerónimo de Sousa poderia ter dispensado o fato"



Aos cartazes das legislativas, juntam-se os dos candidatos às autarquias. Tantos slogans, tantas fotografias. No meio de tanta saturação visual, é difícil absorver mensagens. Principalmente quando elas não são pertinentes.


Felisbela Lopes,
Professora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho,
Investigadora na área do audiovisual e Comentadora na RTPN onde faz a análise de jornais.






4 Comentários:

Anónimo disse...

De facto o colar de pérolas da manela está sempre com ela. Pq sempre o mesmo colar? Será talismã?!

Anónimo disse...

A Sra. Felisbela Lopes sofre do mesmo problema do Sr Carlos Coelho.... nenhum fez uma campanha e talvez gostassem de fazer, não sei digo eu. Aliás, é perfeitamente "entendivel" nos comentários, quer dum quer de outro, que se estão a por a jeito... eheheheh, vá lá, façam uma análise e não um comentário.

Anónimo disse...

De facto é assustador a desplicência com que se efectuam supostas análises, demonstrando inclusivamente uma invulgar incompetência na mera observação que não deve de facto passar despercebida.

Vou focar-me apenas nas análises ao trabalho efectuado para o CDS-PP dado que foi claramente aquele que apresentou melhores resultados.
Dissecando ou quiçá analisando a "análise" da Prof. Dra:
Q1. CDS garante que “há cada vez mais pessoas a pensar como nós”. Falta saber quem cabe dentro deste plural e qual a linha-matriz do pensamento dos populares. Curioso o facto de, em subtítulo, o partido escrever “não basta pensar. É preciso votar”. Estamos entendidos.
R1. Eis o primeiro dos problemas a surgir. As campanhas são isso mesmo: campanhas. Não são cartazes isolados. Existiram uma série de cartazes que colocavam questões pertinentes e que estavam apoiadas nos vectores fundamentais do partido. Se calhar não se apercebeu. Tal como não se apercebeu que os resultados das Europeias mostraram que "cada vez mais pessoas pensavam como o CDS-PP" ao darem uma votação superior às eleições anteriores e ao terem nos seus cartazes: Ter razão não basta, é preciso ter votos" que foi detectado como sendo o eterno "problema" de Paulo Portas e do seu partido (até Domingo). E claro que os 10,5% alcançados a posteriori também não confirmam o que se afirmou de forma positiva e envolvente. Mas por favor aperceba-se se só puder reparar numa coisa que um cartaz não faz uma campanha nem uma campanha é apenas um cartaz.

Q2: Paulo Portas encena um olhar determinado para dar força ao seu “slogan”, mas a sua figura solitária corta qualquer pretensão de passar a ideia do “nós” em que o cartaz insiste

R2: Mais uma vez algo passou despercebido. Se calhar as silhuetas em marcas de água (elogiadas e apropriadas para muitos outros meios usados na campanha) a simbolizar diversas pessoas não transmitiram a ideia de "cada vez mais". Ou se calhar também não se pensou que da mesma maneira que não se analisa um cartaz numa campanha, também não se analisa apenas um elemento num cartaz. O olhar reforça a frase, o fundo reforça a frase. Todos em conjunto transmitem uma mensagem.

Em jeito de conclusão pedia também ao blog que soubesse escolher os comentadores. Convém que sejam especialistas. Ou pelo menos que não sejam meros teóricos distraídos que não lhes ocorre que a melhor forma de avaliar seja o que for é também através de resultados. E nisso se calhar o facto do CDS-PP passar a ser 3a força política do país possa de alguma forma justificar que "há cada vez mais pessoas a pensar como nós".

Obrigado e cumprimentos. Aguardamos críticas com menos ruído e mais pertinentes como refere em tom de conclusão.

CT disse...

Desde que conheci Felisbela Lopes, e já lá vão 15 anos, sempre achei que ela tem a mania de que é superior ao resto do mundo, e que não se coíbe de criticar tudo e todos, muitas vezes sem conhecimento de causa e até com algum grau de infantilismo. Neste caso, por exemplo, a professora universitária de Jornalismo (apesar de formada em Português/Francês) arvora-se o direito de "bater" a torto e a direito no cartaz do PS, que curiosamente foi elogiado de forma ampla por todos os especialistas na matéria, porque, diz ela, "é simples". Pois, de facto, mais simples era complicado. Quem fala do que não sabe, quase sempre diz o que não deve. Nunca tive esta senhora em grande conta, e este comentário faz-me crer que realmente estava certa na minha avaliação.

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